Arremesso de tamancos
Finalmente os parentes do Poeta conseguiram uma tamancada.
Temos um evento familiar todas as sextas feiras na casa de um dos 6 anfitriões (o pequeno mundo da Lua com o Poeta é uma dastas casas) e desde fevereiro SEMPRE alguém nos pergunta sobre filhos de forma que a repetição tornou a curiosidade inocente em intromissão ostensiva e intrusiva. A freqüência é tal que ou na sexta, ou no sábado ou no domingo sem falha uma das criaturas me faz a mesma pergunta. No post anterior eu já havia me queixado não é mesmo?
Há cerca de três semanas eu tive que aguentar, na minha casa, parentes Poéticos de primeiro escalão perguntando quantos anos eu tinha feito, que já seria uma futura gestante idosa, com possibilidade de hipertensão, diabetes e etc.. Não, não coloquei esta gente porta fora, simplesmente disse que meu médico (aliás recomendado pelo médico da família Poética) me disse que estava tudo bem de forma que como NINGUÉM ali presente era MEU médico (porque a família está coalhada de médicos) a opinião deles não me importava. Chato, muito chato...ainda mais que estavam na minha casa e eu não queria ser descortês. Poeta me disse que viu a coisa toda e que achava que depois disto as coisas iriam se acalmar, que ele mesmo iria dar um toque na Mãe Poética para dar uma segurada nos parentes. Eu duvidei. Uma amiga sempre diz que “Tem gente que não entende meias palavras ou sutilezas, só te entende quando você arremessa o tamanco na cabeça deles”.
Combinei com o Poeta mais sutilezas antes de arremessar o tamanco, coisas como mudar de assunto, fazer pouco das perguntas, dizer para irem rezando, dicas de que estavam sendo intrusivos. Não deu mais...o tamanco voou. E olha que foi de leve, mas criou um mal estar sem tamanho. Tudo começou com a pegunta de sempre e alusão ao fato de termos um cão, que o cão tinha substituido o filho. Então dentro da tática da sutileza peguntei para a pessoa se estava na vez dela perguntar porque parecia que estavam fazendo um rodízio uma vez que cada semana um me perguntava a mesma coisa. A pessoa em vez de perceber que tinha sido intrusiva (pobre Lua inocente...porque será que eles são sem noção?) me peitou e disse: é, tá sim comigo o bastão, e aí? Bom, eu ainda dei um saída dizendo: que ótimo, então tudo o que você ganhou foi o marreco da semana! A pessoa não parou e entrou mais gente na conversa como minha sogra gritando do outro lado da sala, “eu esta semana ainda não perguntei, tá na minha vez”, no que eu tive que dizer: Que inferno, toda semana vocês me perguntam a mesma coisa, sem falta, tá começando a chatear. Até o Poeta falou: vão rezando mulherada, parem de perguntar e rezem mais, quem sabe Deus escuta vocês. Ah, aí me dizem: pra que colocar Deus na conversa, a gente pede proteção pra Deus e não estas coisas. No que eu respondi: Azucrinem Deus com este assunto, Ele é misericordioso e aguenta a falação, eu, pobre mortal já estou de saco cheio. Não há quem aguente.
Minha sogra veio então me abraçar e dizer: minha norinha, não fique brava comigo, eu só quero MEU neto! No que eu respondi bem baixinho, apenas para ela ouvir “não estou brava, AINDA!”
Fiquei muito chateada com o acontecido, porque imaginei que ao tentar ser sutil as pessoas perceberiam que estavam passando dos limites e não teria que ser direta. O que consegui com isto foi ficar frustrada porque passei semanas estudando saídas não agressivas e as colocando em prática para no final da contas ter que ser rude enquanto poderia ter me poupado estas semanas e ter sido rude logo no começo. Isto tudo porque não anunciamos que estamos tentando, mesmo porque não estamos. A pergunta lá de fevereiro foi: vocês vão ter filhos? Sim vamos. Quando? Ainda não sabemos. Eu já respondi estas duas perguntas para TODOS os parentes e conhecidos da família Poética pelo menos duas vezes. Imagina ter que repetir TODA semana as mesmas respostas para a trupe do evento familiar da sexta-feira? E como se não bastasse a pergunta repetida tem as opiniões, dispensáveis e inoportunas.
Analisando a situação vejo dois panoramas.
O primeiro mostra que minha formação é muito diferente da nova família pois na minha casa uma vez dito é feito e nesta família não. Eles se insultam durante uma discussão e tudo fica por isto mesmo depois que a poeira baixa. Eu não quero chegar a brigar com ninguém porque uma vez dito, eu faço e seguindo a dinâmica deles não dá para sustentar o dito.
São dois extremos que não são bons e encontrar o meio termo é meu moto.
O segundo panorama me mostra que não posso deixar as coisas ficarem muito pesadas para depois agir porque eles não entendem sutilezas (porque entender sutilezas se quando o bicho pega sempre tem a turma do deixa disto?) e quando eu explodo é hecatombe nuclear e não pode ser assim.
Modos que vou assumir a postura da distância e superficialidade e do tapinha pedagógico na mão. Foi demais da conta, bati.
Não vou mais ficar esperando ver se as coisas se acomodam porque elas não se acomodam, eu fico cada dia mais apimentada e com isto minha reação fica a cada dia pior e termina eu sendo rude de qualquer forma e a diferença é que sofri dias tentando evitar o inevitável e acumulando minha raiva.
Não que eu vá abrir a metralhadora giratória e desancar todos por qualquer coisa. Não quero isto, apenas vou dar menos tempo de saída digna para as pessoas. No terceiro episódio vou baixar a borduna pra não ter que apertar o botão vermelho e lançar um míssil nuclear no final da série. Pra quem não sabe, borduna é arma usada por índios, muito rudimentar e com ínfimo poder de estrago se comparado com o míssil.
Bem, é fato que mesmo a borduna pode matar...