R*inha de Cães
Fomos ao evendo familiar Poético das sextas-feiras que aconteceu na casa da Poeta Mãe. Por ser na casa da matriarca o Poeta decidiu levarmos o Astronauta conosco. O Buzz já foi várias vezes lá e apesar de uns atritos com o Poodle da casa, sempre dava para controlar a situação. Mas o universo do cães tem um tempo diferente do nosso. Astronauta até alguns meses era filhote, hoje já é um jovem macho fazendo xixi nos cantos e espalhando feromônios, coisa que o nosso amigo Poodle não gostou. Dados do Poodle: tem oito anos, um cão genioso, líder e de alta energia. Ele faz o que quer, rosna, morde, não obedece à comandos de ordem. Me parece um cão em desequilíbrio. Por que sei disto? Eu li muito depois que Astronauta veio para nossa casa, coisas sobre o mundo dos cães: Livros que recomendo: O Encantador de Cães - Cesar Millan, Adestramento Inteligente - Alexandre Rossi. Voltando ao causo , recentemente o Poodle esteve doente e agora está se recuperando e me parece com plena energia. Ele não gostou nada do Astronaura no território dele e como quem manda é ele tratou de fazer valer sua vontade: depois de dois enfrentamentos com muitos latidos e rosnados os dois se pegaram e sobrou um grito do Astronauta. Cá comigo pensei: não vai dar certo, tem muita gente aqui inclusive crianças, o Astronaura é boa praça e o Poodle é ciumento, já mostrou que não gostou mas o Buzz quer brincar e, cá pra nós, por que não medir forças? Eu falei para o Poeta que era melhor levar o Buzz para casa, do contrário não teríamos sossego, mas não...aquela coisa: prende um e solta o outro. Tá bom, botamos o Astronauta na área de serviço para podermos comer. Após o jantar alternamos os cães, prendendo o Poodle na área de serviço. Aí entra Poeta Mãe na lavanderia e solta o Poodle no melhor estilo "ai, ele escapou" e eles precisam se acostumar um com outro. Os cãezinhos se atracaram embaixo da mesa. Dava medo o barulho dos dois. Agora imagina eu presa para fora da mesa (que estava ocupada por 12 outras pessoas) ouvindo os cães brigando e sem poder chegar até eles e sabendo que isto ia acontecer. Gente rindo e gritandinho débeis "Pára" e os cães nem aí. Só faltei arrancar Poeta Pai da cadeira, catei o Astronauta e disse: CHEGA, eu não quero mais isto, vamos levar ele para casa. Que nada, veio a chateação de: não precisa, fecho o Poodle lá dentro, o que é isto, não foi nada. Este povo é lerdo ou tá querendo um real? Não é pelos cães apenas, têm crianças brincando junto com eles e do jeito que o Poodle é desequilibrado uma hora ia dar merda. Expliquei isto para a Poeta Mãe mas sempre a mesma cantilhena: prendi ele no quartinho agora, ninguém vai lá. Puerra, também não é certo, o Poodle está na casa dele, no território dele, no ambiente dele. Este tipo de atitude só reforça o comportamento e ele vai associar a presença do Astronauta à punição e ficar cada vez mais agressivo. É um cão dominante, manipulador e extremamente inteligente, na escala de inteligência dos cães ele é o segundo, os malteses estão em 52 lugar. Não que sejam burros ou inteligentes, é a sua capacidade de perceber padrões com mais ou menos repetições. O Maltês é um cão disperso por natureza, precisando de 40 a 80 repetições para repetir um padrão. Os poodles são Ases! Mas adianta falar isto tudo? Não porque só entendem que são cachorrinhos que precisam se conhecer. Ai, bati o pé, passei por louca, doida, desequilibrada e mãe de cachorrinho e Poeta e eu levamos o Astronauta para casa e depois voltamos para o evento. No caminho tive que aguentar o Poeta me alugando com: sua reação está desmedida, são só cães e blá, blá, blá. Eu nem sei como consegui explicar para ele o que citei acima, só sei que acrescentei: eu não gosto de remediar as coisas. Gosto de agir preventivamente. Moramos à 4 km da casa da Poeta Mãe, logo é melhor prevenir e não custa nada. Querem esperar o quê? Alguém ir ao quartinho e abrir a porta e vir com desculpa amarela "ele escapou, que cãozinho mau"? Um dos cães se machucar? Morderem uma das crianças? Ficarem mais agressivos um com o outro? Ou estavam esperando para fazer apostas na r*inha de cães que se montou sob a mesa? (porque eu entrei lá e vi os cães atacando e revidando!). Poeta meu amor, cachorro não é gente e conversinha do tipo: "olha ele é teu amiguinho" só funciona com criança de jardim de infância. O Poeta foi entendendo que eu estava decidida a evitar uma briga entre os cães e que não ia deixar a coisa rolar e ouvir desculpinhas.
Fiquei muito chateada com o que aconteceu, por perceber que estavam achando que eu estava defendendo o Astronauta no melhor estilo mamãe do caozinho. Depois na volta para o evento decidi deixar pensar o que quiserem. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Se para evitar uma situação bomba-relógio passei por dondoca descontrolada e pitizenta que seja. Meu consolo é ver o Astronauta feliz da vida aqui fazendo xixi na porta para que eu lhe dê atenção (ai...vamos ao capítulo do livro que trata de: chamando atenção) e o Poodle dono do seu espaço, de barriguinha para cima deixando claro...sou submisso, mas quando quero.
Escrito por às 03h04 PM
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